quinta-feira, 24 de junho de 2010

A tempestade que não abranda

Tenho andado num turbilhão de emoções, boas e más.

Realmente, começo a achar que este cantinho, é mais para desabafar tudo o que me vai na alma e aliviar a pressão do que para partilhar as alegrias dos pequenos. Mas, sinceramente, não tem sido nada fácil, tanto a nível profissional como a nível pessoal. Penso que tudo e todos se juntaram para me "atacar" agora, ou serão as minhas hormonas que não me deixam agir com a mesma calma e serenidade que anteriormente? Será que antes de ficar grávida os problemas eram os mesmos mas, simplesmente, eu lidava com eles de uma forma mais fácil e mais leve? São dúvidas e questões que não me saem da cabeça, que me têm atormentado diariamente, que não me deixam viver esta gravidez com a tranquilidade que desejava e que este bebé precisa. Tenho tido dias de chorar compulsivamente sem me conseguir controlar, já desesperada e a ponderar fugir para algum lugar onde ninguém me encontre nem aos meus filhos, tenho dias que é a única solução que vislumbre para conseguir alcançar a paz de espírito que tanto anseio. Sim ando muito cansada, física e psicologicamente, e é verdade que isso pesa muito na forma como encaro as adversidades que se apresentam, na forma menos clara de as encarar.

Falta-me coragem e ânimo para me levantar a cada manhã, se não fosse o meu filho e este bebé que carrego no meu ventre, já tinha abandonado o barco e esta tempestade que insiste em não abrandar e fugido para um porto mais calmo, longínquo, algures na outra parte do mundo, e começava do zero. Mas os meus filhos não merecem que os separe de quem os ama e eu tenho que ser forte por eles.


Agora, depois do desabafo, as novidades do mais velho:

Estás quase, quase a fazer anos, três anos de pura paixão.
Antes de ser mãe nunca pensei, nem cheguei lá perto, que se conseguia amar tanto um ser humano. É um amor que ultrapassa tudo, que nos absorve de tal forma que nos deixa embriagados.
Digo-te todos os dias, meu pimpolhinho: Amo-te, amo-te desde o primeiro dia que soube que estavas a crescer dentro de mim, a cada dia que passa esse sentimento aumenta e fortalece.
Ontem estavas todo contente, "a mamã compou uma piscina, papá, do cocodilo!!", foi tão bom ver-te com o brilho no olhar, um brilho com tanta pureza e sinceridade. Mas mais uma vez aquele momento que era só nosso e do papá, foi interrompido por terceiros, e a mamã já não conseguiu aproveitar-te ao máximo, desculpa filho por não conseguir ser eu quando eles estão por perto, desculpa, mas a mãe não consegue, é mais forte que eu, é algo que não consigo controlar.

Quando se fala no mano, é ver-te feliz, a dar beijinhos na minha barriga e a querer comprar "carros amaielos" com as moedas que "encontei". Quando vamos comprar roupa para ti, dizes logo que não, que é pro bebé. Estás um crescido e a mãe está nostálgica a pensar no bebé pequenino que foste e no menino que te tornás-te: és educado, muito meigo e carinhoso.
Amo-te meu pequenote!!


Sobre o mais pequeno:

Agora tu meu bebé, já sabemos que vem aí outro menino!!! Pois é, vou ficar rodeada de homens lá em casa. Embora gostasse de ter uma menina, fiquei muito contente por saber que era um menino, um Martim, eu sentia que era um menino e veio a confirmar-se. O papá ficou triste, estava convencido que era uma menina. Papá, temos que ir ao terceiro para ver se vem a menina!!

Já te sinto bastante bem, muito no fundo da barriga e não é todo o dia, sinto-te principalmente quando estou um bocadinho a relaxar no sofá ou então quando trago aquelas calças que tu deves detestar, aí sim, é sentir-te a pontapear-me até mais não.

Tal como com o mano, também a ti já te amo bastante, e também a ti tenho que pedir desculpas por não me andar a portar como deveria, por não descansar como era suposto, por não andar calma o suficiente, até por não me alimentar devidamente, mas eu sei que tu és forte e um campeão, e que vais sair um bebé cheio de força e energia.
Amo-te meu pimpolhinho mais pequeno.


Para ti, o maridão lá de casa, sei que não tem sido fácil, sei que estás numa posição complicada, mas preciso mais de ti, preciso de me sentir apoiada por ti, preciso que sejas o meu porto de abrigo, sinto-me a desabar e preciso que ti.
Continuo a amar-te como antes, embora saiba que tens dúvidas a esse respeito, mas a vida não tem sido meiga comigo e por vezes não consigo mostrar-te aquilo que sinto.
Amo-te...

2 comentários:

  1. Boa Tarde

    Antes de mais os meus parabéns pelo novo menino!!!
    Curioso, que na minha casa as mulheres ficam em maioria com a vinda da pequena Luisa!!!
    Espero que as hormonas se acalmam, realmente tenho notado nesta segunda gravidez que o mau humor tem-se manisfestado com mais frequência e as crises de anciesade também, não consigo defrutar da gravidez como deveria por causa da preocupação e das crises existências ou melhor, hormonais....
    Muita força para esta gravidez e que o Martim venha alegrar toda a familia
    Beijinhos

    Luciana Amieiro

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  2. Muitos, muitos parabéns. Junta-te ao clube da mãe de gajinhos!

    Sabes... daqui a alguns anos se calhar já não te lembras porque é que estiveste assim tão em baixo. Sim, que a memória tem destas coisas. Mas talvez te fique sempre o sentimento que não tiveste a calma que precisavas, que não desfrutaste como devias. Obviamente que não te digo isto para que te sintas pior. É mais uma espécie de dica, para relativizares ao máximo. Tenta fazê-lo. Na gravidez do Manel passei um mau bocado. Foi um mau momento profissional, daqueles mesmo negros. Dou aulas ao ensino superior e estava a ser implementado o processo de bolonha. Como tentei levá-lo à séria, os alunos revoltaram-se e fizeram baixo assinado e tudo. Sofri muito, desesperei, deprimi. Demorou mas depois tudo se compôs e ainda me deram o prémio de melhor professora do ano. Mas isto só no ano seguinte. Eu então percebi que tudo passa (senti-me como o primeiro ministro, a ser bombardeada por todos os lados!!). Mas a dor de me ter vergado ao sofrimento mantém-se, mais do que tudo.
    Isto tudo só para te dizer, que embora não conheça muito do que se passa contigo, pensa que as coisas chegam e partem... amigos, trabalhos e até maridos. Mas os filhos é que são mesmo nossos. Relativiza, por favor, tudo o resto.

    Beijinho muito grande

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